11.10.09

Campina Grande - 145 Anos




"Vivendo campinensemente"

Não é coisa de bairrista, não. Campina Grande tem um jeito especial de ser.
Ser campinense é mais do que uma designação geográfica. Ser campinense é um modo de vida.
Em meio a dezenas de pessoas de outras cidades, é fácil identificar o campinense. É impossível não identificar um campinense.
O campinense da gema é alegre, espirituoso, hospitaleiro, gozador, dinâmico, decidido e intransigente quando se trata de defender os interesses de sua terra.
Daí que o campinense legítimo não está nem aí para as grandes metrópoles do país e do mundo, alvo da atenção de turistas de todos os quadrantes.
Não trato aqui da Campina das universidades, do comércio, da indústria, das festas, da informática; refiro-me ao instante mágico de sentir-se campinense.
Não é que signifique ser campinense em detrimento de outras cidades. Claro que não! Todas as cidades e seus cidadãos merecem respeito.
Mas Campina tem uma aura de luz em seu derredor. Por isso, Campina é a cidade das possibilidades. O campinense tem uma filosofia de vida que lhe é bem peculiar. Eu próprio me sinto semelhantemente incomum. Nada mais é do que esse não sei quê de um campinismo exacerbado.
Quando não posso demonstrar tudo isso em minhas ações cotidianas, sufoco-me, inquieto-me, nego-me. Por este motivo decidi escrever estas linhas, traçando o meu perfil inequívoco de um campinense laureado graciosamente.
Em definitivo, vou deixar qualquer outro projeto de lado, as perspectivas e os sonhos, para viver campinensemente. Crio o advérbio para traduzir o sentimento que se agita no coração do
filho desta terrinha abençoada.
A partir de agora, tal expressão deverá fazer parte do jargão comum aos campinenses. Assim, não vai ser difícil, durante uma conversa, alguém dizer, ao emitir opinião: “Campinensemente falando, quero afirmar que...”. Pois é! Ou se não: “Fulano agiu campinensemente”. Outra: É campinensemente viável investir...”.
Como já disse, eu vou viver campinensemente. Não vou estar preocupado em ver a vida com os olhos alheios. Vou considerar apenas as ruas da minha infância, as lembranças da adolescência, os telhados, as igrejas, as praças, os colégios, as árvores, o ar da serra, as noites frias sobre o Açude Velho, os bairros, suas ladeiras, as pessoas humildes da periferia e todos aqueles filhos legítimos ou adotados que amam orgulhosamente a terra dos nossos antepassados.
Isso é viver campinensemente.
Considerar o berço natal como a permissão divina para o mistério da vida em condição humana; dela provém toda seiva que nos alimenta e é igualmente dela que emanam os eflúvios sagrados de um atavismo saudoso e animador. Por estas vias caminharam nossos bravos ascendentes, de cujo empenho nos foi possível atualmente realizar tanto.
No entanto, a maior realização do campinense autêntico é ser simplesmente campinense e vibrar campinensemente, sorrir campinensemente, abraçar campinensemente, empreender campinensemente, dar a mão campinensemente, enfim, nascer e, sobretudo, morrer campinensemente, que é uma forma de imortalizar-se, de projetar-se do planalto acima.
Nada mais desejo a não ser viver campinensemente.
Sinto-me campinensemente realizado. E só

Mica Guimarães
Jornal da Paraíba

Homenagem aos 145 anos da minha linda, friazinha e deliciosa cidade natal.

2 comentários:

Anésia Monteiro disse...

Amei o post! Minha cidade é realmente linda e tudo mais de bom que há.Só um detalhe: bem que poderia mudar o 'campinense' para o CAMPINAGRANDENSE. huahuahuaua

Coisas de 13ANA

Bjos minha amada sobrinha.

Felipe Gesteira disse...

Texto lindo.
Já namorei uma campinense, o clima é esse mesmo. Saudades de Campina Grande (só da cidade).